Arquitetura O desafio deste concurso de arquitetura era dar uma nova vida a uma torre em ruínas junto ao mar. Na proposta da SAME Architects, a torre mantém-se como está, com a mínima intervenção, e sobre ela nasce um farol contemporâneo que devolve à costa a função de ver e de ser visto.
As ruínas fazem parte da história e devem manter-se. Mesmo marcadas pelo tempo e pela ação do mar, preservam a memória do lugar, por isso a reabilitação limita-se ao necessário para reforçar a estrutura e evitar degradações futuras.
Historicamente, a torre servia para ver quem se aproximava e para ser vista pelas outras torres da costa. O projeto mantém este conceito de forma invertida: ser visto do mar pelas embarcações e, do alto, ver o mar e a paisagem. De dia, a cobertura é um miradouro público. À noite, o edifício torna-se farol e guia, com a sua luz, quem navega.
A volumetria ousada e escultórica distingue-se de qualquer outra construção ou elemento natural, para cumprir o seu papel de marco numa paisagem costeira despojada, visível do mar e da cidade. O betão liso e fluido pousa sobre a pedra antiga e destaca-se dela, e a leveza do volume superior contrasta com o peso da base. A cobertura tem planta triangular, que alonga a fachada voltada ao mar e permite que mais pessoas desfrutem da vista em simultâneo.