Design de Interiores Há cozinhas que se usam e cozinhas que se habitam. Esta pertence às segundas: um lugar onde o pequeno-almoço e o jantar com amigos acontecem à mesma bancada, e onde a casa inteira acaba, inevitavelmente, por se encontrar.
O desenho nasceu da observação do quotidiano: quem acorda primeiro, quem cozinha ao fim de semana, onde ficam as conversas enquanto o jantar se faz. A partir daí, cada decisão serviu um gesto, uma distância, um hábito.
A ilha em pedra é o coração do projeto. De veio marcado e presença escultórica, ancora o espaço com a força de uma peça única, enquanto a marcenaria em tons suaves se retira, discreta, para deixar a matéria falar. Entre uma e outra, a madeira escura traz calor e profundidade aos pormenores.
Tudo o que é preciso está à mão, e nada está à vista. A arrumação desaparece em planos contínuos, os cristais ganham lugar de destaque em vitrines iluminadas, e a luz percorre nichos e remates como um fio quase invisível. À noite, a cozinha transforma-se: menos funcional, mais sala.
É um espaço que dispensa a ostentação porque confia na qualidade: na precisão do encaixe, no toque da superfície, na proporção certa entre o que se mostra e o que se guarda.